domingo, 3 de março de 2013

Tempo...





Ah, o tempo...
Sutil como a brisa da manhã e violento
como a fúria das tempestades,
ele te rasga e te consome como se fosse você,
um pedaço de papel esvoaçante,
a vagar pelas correntes de
ar com palavras que jamais foram idealizadas
e destinadas a alguém,
com a esperança de beijos que nunca foram
prometidos ou sequer sonhados,
ele te apodrece e te entristece,
enquanto você espera ele passar,
vendo o céu mudar.

Ah, o tempo...

Rancoroso como um amor não comprometido
e amargo como um tapa desferido,
ele te envelhece e te adoece como se fosse você,
uma carta não entregue, com versos
esquecidos e inacabados, ilustrando dias que
nunca vieram e que nunca nos serão dados,
ele te incomoda e te sufoca,
enquanto você caminha sem direção
a tomar.

Ah, o tempo...

Cruel como um beijo envenenado
e vil como o punhal de um carrasco,
ele te ilude e te confunde como se fosse você,
solene criança inocente, a vislumbrar a vida
com olhos que apenas percebem o que vêem,
incapaz de sentir a doce lâmina que te condena
e te lacera, enquanto você lamenta
a finitude eterna de sua espera.

Ah, o tempo...

Caloroso como um abraço materno
e doloroso como um adeus sincero,
ele te desola e te malogra como se fosse você,
um apaixonado rejeitado, a nadar desesperado
entre os afogados e os desesperados,
ele te limita e te condena,
enquanto você busca sem sucesso,
preencher o vazio que te completa.

Ah, o tempo...

Este, nunca fez-se ausente,
em todos os dias de seu nome,
trazia-lhe um presente,
mesmo que rugas e feridas,
para ensinar-lhe a lidar com as horas sofridas.
Tempo...
trouxe-me num dia quente,
de noite fria e deprimente,
chama que arde tão intensa e bonita,
que enche minh'alma de calor
e meu rosto de alegria.

O tempo...


Sem mais,


Fernando Muniz.