segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Morto-vivo













Há muito já não piso neste jardim, 

o tempo não mais é o mesmo,

o ritmo cada vez mais intenso,

precisei me afastar para cuidar de mim. 


Plano este, que não funcionou,

pois a cada dia que se passa,

é evidente que falhou, 

vide a pobre rima apresentada. 


Sinto a cada segundo, 

o peso de minha desgraça,

patético e moribundo


Eu me esforço, me forço

a provar que ainda há vida, 

apesar de jazer morto.


(Fernando M.) 

quarta-feira, 23 de março de 2022

O encanto


A vida continua....
Mesmo depois de traições,
Discórdias, inimizades e esquecimento,
Após o medo, depois da solidão,
Antes de sentirem-se tristes ou felizes,
A vida continuará;
E sempre continuou,
Quando estive sozinho, ou cercado de gente,
Ela continuou
Mesmo que nada fizesse,
E nunca parava,
Nem mesmo para nos observar;
A vida nunca parou para
Contemplar sua beleza
[como eu],
E seguiu em frente ao perceber
Que o seu encanto não iria embora...
Ela estava me trazendo um
Presente cheio de brilho e coisas felizes...
[seus olhos]
Ela me roubou com um sorriso...
E me devolveu aquilo que eu havia perdido com tristeza...
[um sonho]
A vida continuou me levando, rumo ao desconhecido...
Enquanto seguia o caminho da vida,
Pensei, reparou alguma vez na morte?
Ela sim... contemplou cada momento seu,
Vislumbrando momentos mais remotos,
Com olhares ávidos
[como os meus]
Perseguindo cada instante,
Sonhando com o momento
Em que te teria em seus braços
[tal como sonhei, sem jamais ter],
E mesmo parada, apenas observando,
Não deixou de sentir extrema saudade;
Ela te aguardava em repouso
Toda encantada por ti...
[assim como eu]
E em seu último frasco de vida encantada,
Ela chegou para tocar-lhe a face...
Sonhando com o dia em que nos colocaria
No eterno repouso, sem dor,
Sem rancor, somente o encanto;
E antes que você se vá de mim,
Tornar-lhe-ei meu mais belo quadro,
Minha mais singela poesia,
Imortalizada em carne e sentimento.
E por todas as noites restantes,
Eu dedilharei-lhe como um instrumento,
E cantarei aos ventos sobre você, e te farei a mais doce melodia,
para que todos saibam, és tu, o mais singelo sentimento
Jamais escrito, cantado, e amado.

(Pois encantou meu coração e ensinou minh'alma a sorrir)

(Fernando M.)

quinta-feira, 17 de março de 2022

A princesa e os sonhos na terra mágica...

Ainda meio dormindo,
levantei, e no espelho, me vi sumindo,
Abri minhas asas e voei, talvez fosse
um sonho e ainda estivesse dormindo.
Enquanto voava, encontrei árvores e
castelos, monstros e pesadelos, gênios
e desejos, eu não sabia que sonhava...
Adentrei um castelo, estava vazio e quieto,
as portas abertas e ninguém por perto,
tinha no ar um tom triste, quase funesto...
Desci até o porão, e assustei-me então,
um soluço ecoou por todo o salão,
havia ali uma bela dama, perdida em depressão.
Corri até ela e tomei-lhe a mão,
"por que está tão triste assim, minha nobre dama,
te dou minha alegria e lhe canto uma canção"
Tomei dela um sorriso, abri minhas asas e
peguei-a pela mão; voamos alto,
voamos juntos e ganhei outro sorriso,
dei-lhe então, uma canção.
Visitamos terras incríveis, mas sem calabouço
ou dragão, apenas lugares bonitos,
nunca visitados até então.
Roubei-lhe um beijo, que me foi retribuído
com ternura, com paixão; e então desvaneceu-se
à minha frente, fora somente um sonho,
levou consigo, meu coração.

(Fernando M.)

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Eternamente triste





Na cidade onde eu vivo,
Estou sempre deprimido,
Quando a chuva chega grunhindo,
Meu coração chora sozinho.

Eu não sei o que aconteceu,
Mas assim como meu corpo,
Meu coração também adoeceu
Outrora vivo, agora jaz um vivo-morto.

E então partiu, sem sorriso,
Um fantasma perdido,
Na vastidão da tempestade

Sem vida, vago sem destino
Inundou em lágrimas, perdido
Afogado no mar de saudade.

(Fernando M.)

terça-feira, 23 de junho de 2020

Dedilhando sonhos

Ficheiro:Dust-storm-Texas-1935 (cropped).png – Wikipédia, a ...

Ao compasso dos acordes amargos,
o passar do tempo voa demorado,
sinto o pesar de meu anseio
que minh'alma consome por inteiro.

As vozes que gritam aqui dentro
me tornaram um ser mais atento,
do medo que me consome todo,
à verdadeira fonte de meu tormento.

Tormento este, que tira até o sono,
faz do meu coração, eterno outono,
o murmúrio da saudade que me drena.

Um sentimento de amor intenso,
ferve em meu coração, tão imenso,
a paixão que em meu peito queima.

(Fernando M.)

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Capítulo V - Colheita de cinzas



Sempre vi as pessoas falando sobre o quão problemático era gerar expectativas e nutrir esperanças, "o solo de amanhã pode ser infértil para sonhos plantados hoje" e apesar de tudo, sempre perseverei, nutrindo somente , mas sempre por colher fatos. Acho incrível o imenso poder que a humanidade possui em transformar fuligem em sonhos e vice-versa; vi pessoas cultivando esperanças para colher somente desgraça e tragédia enquanto que outras simplesmente semeavam somente mentiras e ódio perseverando sobre todas as outras, reinavam entre a plebe.

Não são todos que enxergam as coisas do modo que acontecem, cansei-me de ver a chama no olhar tornando-se desespero quando as coisas não ocorriam de acordo com as expectativas e os planos simplesmente desmoronavam como castelos de cartas; quantas vezes não ouvi lamúrias noturnas daqueles que se afogavam no álcool e no ópio para conseguir dormir e livrar-se das lágrimas? Já não há mais dedos para contar tais fatos, pois os que caíram estão amontoando-se e abarrotando a boca do abismo. A esperança é o modo mais puro de tolice, um sentimento que se atrelado à um fator que indique a necessidade de cooperação externa, torna-se automaticamente um convite para uma morte lenta e sofrida, como adormecer no banho e afogar-se até a morte na banheira, ou sufocar com o próprio vômito durante o sono.

Eu observo os tolos montando suas piras incendiárias de esperança há anos, a graça e leveza de seus movimentos a trabalhar em um projeto de alto calibre como este, um imenso trabalho e esforço empregados para montar as piras incendiárias para simplesmente vê-las consumidas de modo tão ínfimo, que às vezes eles mal possuem tempo para processar todo o desespero que engole a chama em seus olhos ao acabar-se o combustível do povo, sempre fiz o possível para manter-se longe deste tipo de empreendimento, pois já vi as consequências destes incontáveis vezes; os pobres diabos realmente se esforçam para ver tudo reduzido à uma mera pilha de carvão e restos.

E eu, depois de tanto lamentar a tolice daqueles que construíam fogueiras para manter suas plantações protegidas da praga que contamina os sonhos, sem perspectiva alguma de conseguir ajudá-los, na primeira vez em que cultivei minha esperança, encontrei-me de olhos famintos e opacos em meio às cinzas de minha própria colheita.

(Fernando M.)