domingo, 24 de julho de 2011

Tiger...




Tigre, tigre, brilho flamejante
Na floresta, noite avante,
Que olho ou mão imortal
Expressaria sua pavorosa simetria?

Em qual profundeza ou altura
Queimaria a chama em seu olhar?
Com quais asas ousas voar?
Qual mão se atreve a este fogo apagar?

Com qual ombro ou arte
Do teu coração, torceria as partes?
E quando seu coração começar a bater,
Que horrendo pé ou mão te espanta?

Que martelo, que corrente?
Bate na forja, em sua mente?
Que bigorna, que com o medo
Te sufoca?

Quando as estrelas atirarem suas lanças,
E do céu, a água cair sem esperanças,
Sorrirá ele, ao ver o seu feito?
Quem criou você, deu vida também ao cordeiro?

Tigre, tigre, brilho flamejante
Na floresta, noite avante,
Que olho ou mão imortal
Expressaria sua pavorosa simetria?

William Blake
(traduzido por Fernando Muniz)

Sem mais,

Fernando Muniz.