quinta-feira, 12 de junho de 2014

A princesa e os sonhos na terra mágica...

Ainda que meio dormindo,
levantei, e no espelho, me vi sumindo,
Abri minhas asas e voei, talvez fosse
um sonho e ainda estivesse dormindo.
Enquanto voava, encontrei árvores e
castelos, monstros e pesadelos, gênios
e desejos, eu não sabia que sonhava...
Adentrei um castelo, estava vazio e quieto,
as portas abertas e ninguém por perto,
tinha no ar um tom triste, quase funesto...
Desci até o porão, e assustei-me então,
um soluço ecoou por todo o salão,
havia ali uma bela dama, perdida em depressão.
Corri até ela e tomei-lhe a mão,
"por que está tão triste assim, minha nobre dama,
te dou minha alegria e lhe canto uma canção"
Tomei dela um sorriso, abri minhas asas e
peguei-a pela mão; voamos alto,
voamos juntos e ganhei outro sorriso,
dei-lhe então, uma canção.
Visitamos terras incríveis, mas sem calabouço
ou dragão, apenas lugares bonitos,
nunca visitados até então.
Roubei-lhe um beijo, que me foi retribuído
com ternura, com paixão; e então desvaneceu-se
à minha frente, fora somente um sonho,
levou consigo, meu coração.


Sem mais,

Fernando Muniz

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Capítulo II - Sobre o abismo que nos separa.




 Um dia eu li em algum lugar, que quando se encara um abismo por muito tempo, o abismo te encara de volta, mas não acho que seja assim que as coisas funcionam; quanto mais tempo se encara um abismo, mais tempo demoramos para nos distinguir como avulso à ele, é esta a grande verdade da vida, nós somos criaturas falhas, maculamos tudo pelo que passamos, e todos a quem tocamos, como uma grande doença que se espalha lenta e inexorávelmente, matando aos poucos pequenos organismos, que por sua vez contaminam organismos maiores ainda...
 Mas o que eu dizia mesmo? Ah! Há um abismo imenso que separa cada ser humano um do outro, e às vezes até de si próprio; alguns não são capazes de enxergá-lo, à mesma medida que outros não enxergam nada além desse abismo; há pessoas que fazem de tudo para cobrir essa distância e conseguir chegar até si próprias, mas esquecem-se das bestas que habitam dentro de sua consciência, e então, num lampejo, perdem-se totalmente dentro da escuridão que há entre seus demônios e o vazio que as separa do resto do mundo, tornando-se amargas e hostis consigo mesmas e com todas as outras que as rodeiam, sem perceber que estão aumentando mais e mais o abismo que há entre elas e os outros.
 Dizem que o abismo te olha de volta, mas é mentira, você se torna o abismo, você adere a ele vagarosamente, deixando de lado, cada parte do que um dia foi ou sonhou ser. O abismo, como uma besta simbiótica, te consome vagarosamente enquanto te protege do monstro que habita sua mente; pouco a pouco, você se deixa cair em sua infinitude, sem sequer notar que agora não passa de um quase.
 E eu, cansado de assistir tantos caindo, percebi que não há o que temer, pois há muito, ele já nos engoliu; é só uma questão de tempo até que você o perceba...

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Sem mais,

Fernando Muniz