quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sobre sangue e corvos...



Noite, noite e nada mais...
E aí está você, trancada em seu buraco
imundo rabiscando as paredes
com sangue e sujeira,
buscando registrar os mais insólitos
momentos jamais vividos ou sequer
sonhados enquanto cabeças rolam
dentro de sua mente, onde elas
teriam sido muito mais do que
realmente foram em sua vida.

Partiu-se, em dois, três e nada restou!
E aí está você, como um fantasma
do passado delirando com sonhos
que jamais ousou viver e olhares
que jamais tocou a luz dos seus
enquanto sombras devoram sua alma
já tão opaca e vazia quanto os olhos
que miram, mas nada enxergam.

Nunca mais, mas nunca foi!
E mais uma vez, aí está você,
revirando cinzas e fuligem em busca
de algo mais que possa ser destruído
pela peçonha de sua língua,
que lambe e atira mentiras tão afiadas
quanto seu sorriso cínico, agora tão
falso quanto o sonho que não vivemos.

Adeus, até jamais!
Eu te vejo sangrar enquanto sigo
e te deixo pra trás.
E assim você se vai, com asas tão negras
quanto o ódio que plantou dentro de mim,
marcando com desgraça o caminho que
traça, enquanto me deleito com o delírio
de serrar seus braços, sua cabeça
e suas asas!


Sem mais,

Fernando Muniz.

(poema ilustrado por Paulo Márcio Esper)