domingo, 12 de outubro de 2014

Atemporal



O tempo passa,
leva consigo a beleza, a juventude,
a família e os amigos;
o tempo se esvai...
E então você está velho, sozinho
e doente, e não possui muito além
de um punhado de cinzas, que outrora
foram sonhos, os quais alguns realizaram-se,
mas se foram;
O tempo machuca...
Você sente o gosto enferrujado
de lembranças que jamais sonhou
ser capaz de recordar, enxuga as lágrimas
e abraça a nostalgia, sua única companheira;
O tempo corrói, o tempo conserta...
Um sorriso aparece sem se anunciar,
carregando as doces lembranças
do tempo em que sua vida correu,
dos beijos que foram dados e dos que
foram imortalizados numa folha de papel,
nos doces sonhos de alguém que
mais amou do que viveu, mais sonhou
que realizou e mais sentiu do que
tocou; de alguém que se arriscou
nos picos mais altos e nos abismos
mais obscuros de sua mente e do mundo
para aprender as palavras e as canções
que controlam o tempo, para poder
entregar em suas mãos e deixar guiá-lo
em quantos mundos e vezes forem necessários,
para que este amor nunca acabe, para que seja
eterno...

(Pois meu amor é maior que a vida e o tempo).

Fernando Muniz.